sábado, 13 de fevereiro de 2010

Capacete Trem Blindado TB5

“Depois das bombardas e das granadas, na ordem de serviços
prestados vêm os carros de assalto, os trens, as lanchas e
automóveis blindados. Não conseguiu, a nossa engenharia,
propriamente fazer tanques, de difícil mecanofatura, mormente
pelo material que exige, pela complicada engrenagem que
requer. Substituiu-o o auto blindado.
Dos carros de assalto, os que provaram melhor na
campanha Constitucionalista foram os trens com blindagem: a
locomotiva, o tender, o vagão. Simples a blindagem: dormentes
de faveiro superpostos, e a revesti-los uma chapa de aço. As
partes onde não se fosse possível o revestimento, eram cobertos
por uma outra chapa de aço mais grossa, e resistente a tiro
direto de fuzil. Depois a decoração, a camuflagem: as cores da
terra, do céu e das folhagens, para confundir o novo engenho de
guerra com a própria natureza bruta, e não ser percebidos dos contrários.
Por dentro, em torre giratória, na parte dianteira, traseira
e laterais do vagão as armas automáticas, as metralhadoras.
Operadores – o que as armas exigem. A entrada, por baixo, no
leito da estrada; e para comunicação entre o vagão e a
locomotiva – ordens de parar, avançar, de retroceder – um
telefone de campanha. Como respiradouros duas ou três viseira, e só.
Pronto para entrar em ação, o trem blindado. Os
operadores, nus da cintura para cima, tal o calor que ali dentro
se verifica, naquele recinto inteiramente fechado e invulnerável
às balas de fuzis. Para danificá-lo somente as granadas de
canhão, que o visavam sempre, mas que poucas vezes logravam
acertar o alvo.
O trem blindado, como os demais carros de assalto, era
uma fornalha viva. Os atiradores, sem querer, sujeitavam-se a
uma tatuagem num dos braços, queimado continuadamente pelas
cápsulas deflagradas das metralhadoras, que saltavam, e os
apanhavam de raspão. Interessante: de metálico que é o ruído
dos tiros das armas automáticas, nos carros de assalto
tornavam-se surdos, facilmente distintos à distância.”

Coronel Herculano de Carvalho e Silva, Comandante da Força Pública de São Paulo durante a Revolução Constitucionalista de 1932
Para saber mais sobre o Trem Blindado acesse: http://www.ecsbdefesa.com.br/fts/R1932BN.pdf 

Esta peça está na coleção de um amigo.
Seu dono original marcou no capacete suas passagens durante a Revolução de 32, entre elas o Batalhão de Caçadores de Piratininga e o temível Trem Blindado - TB5. História PURA!


 

 


Um comentário:

  1. seu moço, do caroço, do torrão do leite grosso, bota a cerca no caminho, que o paulista é um colosso...

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