sábado, 24 de dezembro de 2011

Boas Festas!

Prezados leitores,

Lá se vai mais um ano, e 2011 foi um ano bem movimentado aqui no blog! Foram 136 posts, alcançamos a marca de 58 mil visitantes e 134 mil page views, além de uma grande divulgação na mídia. Em 2012, aniversário de 80 anos da Revolução, teremos muitas novidades que serão aos poucos divulgadas. Adianto porém que separem algum dia no início de Julho para visitar uma grande exposição que já está sendo preparada e que trará muito material inédito sobre a Epopéia de 32.

Quero também agradecer a todos os fiéis leitores, aos amigos e aos parceiros do blog, e desejar um FELIZ NATAL e um ano novo repleto de saúde, paz e realizações. O blog volta de férias no dia 5 de janeiro, trazendo um equipamento muito interessante usado nas trincheiras paulistas de 32. Até lá!!

VIVA SÃO PAULO!
Um abraço,
Ricardo

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Insígnia de Paraquedismo da Força Pública de São Paulo

Poucas pessoas sabem que na década de 50, São Paulo teve um núcleo de paraquedistas dentro da Força Pública do Estado e que este participou do resgate das vítimas de um avião da Pan American na Amazônia. Recentemente o Cel. Edilberto de Oliveira Melo postou esta fantástica história em seu blog.

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Após alguns anos de pesquisa e procura, consegui localizar nos Estados Unidos um exemplar do brevê deste lendário grupo - e com um pouco de sorte pude "repatriar" a peça. Trata-se de um pequeno brevê em prata dourada, bastante gasto pelo uso e que carrega uma história de muita coragem consigo.

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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Medalha do Cinquentenário da Revolução Constitucionalista

Trago aos leitores do blog a vistosa Medalha do Cinquentenário da Revolução Constitucionalista, outorgada pela Assembléia Legislativa no ano de 1982 aos ex-combatentes de 32. A medalha de módulo grande traz no anverso um combatente e seu fuzil e no verso a entrada do Mausoléu do Ibirapuera. Cunhada pela extinta Esmaltarte, tradicional fabricante de condecorações nos anos 1970-1980.

Até há pouco tempo, era possível ver no desfile de 9 de Julho alguns veteranos usando esta medalha orgulhosamente ao redor do pescoço. Infelizmente neste ano não pude encontrar nenhum. Certamente São Paulo está novamente precisando dos seus melhores homens. Desta vez lá em cima, ao seu lado.

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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Folha Dobrada

"Quando se sente bater
No peito heroica pancada,
Deixa-se a folha dobrada
Emquanto se vae morrer..."
(Tobias Barreto)

Trago hoje aos leitores do blog uma peça em bronze bastante interessante assinada por um artista que teve a Revolução de 32 como um dos seus temas preferidos. A obra é uma reprodução miniaturizada do célebre busto que encontra-se no páteo da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco - a qual teve notória participação na organização do movimento constitucionalista. Além desta, outras duas versões deste mesmo monumento podem ser encontradas na Faculdade de Medicina da USP (pelo escultor Gildo J.A. Zampol) e também na Engenharia Civil da Politécnica da USP.

Os monumentos foram uma iniciativa conjunta das três tradicionais faculdades da época, com projeto original da escultora Adriana Janacopulos (1897- ?) - irmã da cantora lírica Vera Janacopulos, com execução da Cezani Construtor e Companhia Marnito S.A., erguidos por volta de 1935. O busto capta o momento dramático da morte do combatente, a "heróica pancada". Em cada um deles os nomes dos estudantes tombados em combate daquela faculdade e os versos de Tobias Barreto.

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A reprodução em miniatura que mostro abaixo, mede cerca de 18 cm e está assinada por ninguém menos que Máximo Puglisi, o intérprete que imortalizou o famoso hino "O Passo do Soldado" com letra de Guilherme de Almeida e Marcelo Tupinambá (Pseudônimo de Fernando Lobo). As formas desta miniatura são impressionantes!

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Abaixo a marcha "O Passo do Soldado" por Máximo Puglisi e o Coro e Orquestra Cruzeiro do Sul, gravada pela Colúmbia em 1935. Basta apertar o botão no centro do quadro para tocar.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Medalha de Tempo de Serviço das Forças Armadas

Já mostrei aqui no blog as diferentes medalhas de tempo de serviço da Força Pública de São Paulo. Trago hoje a Medalha de Tempo de Serviço das Forças Armadas Brasileiras, criada pelo Decreto 4.238 de 15 de Novembro de 1901. Conferida a oficiais e praças do Exército, Marinha e Aeronáutica em serviço ativo em reconhecimento de bons serviços prestados.

A medalha é de ouro para os militares com mais de 30 anos de bons serviços, de prata para os com mais de 20 anos e de bronze para os com mais de 10 anos nas mesmas condições. Em 30 de junho de 1934, o Decreto 24.514 modificou o anterior estabelecendo a medalha para militares com 40 anos de serviço, esta em ouro com passador de platina. Abaixo vemos a medalha em bronze de cunho muito antigo e o passador correspondente.

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Militar não identificado usando a Medalha de Tempo de Serviço. Acervo do autor do blog.

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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Lançamento do livro "Quartel da Luz, Mansão da Rota"

Na próxima segunda-feira, dia 12 de dezembro as 18:00 no Teatro Frei Caneca será lançado o livro "Quartel da Luz, Mansão da Rota" do Ten Cel Paulo Adriano Telhada. O livro conta a história do Quartel da Luz e de um dos mais históricos Batalhões de São Paulo. O Teatro Frei Caneca fica na Rua Frei Caneca, 569 7o andar.

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terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Sr. Francisco de Souza Queiroz Ferraz - Batalhão Floriano Peixoto

Conduzir este blog tem me trazido inúmeras alegrias e a oportunidade única de conhecer pessoas extraordinárias, como o Sr.Francisco de Souza Queiroz Ferraz. Veterano da Revolução de 32, o Sr. Francisco então com 19 anos se alistou junto com o irmão e amigos para lutar pela causa paulista. Acabou incorporado ao Batalhão Floriano Peixoto, foi enviado para a frente de batalha em Buri. Mais do que isso, o jovem Francisco, levou um caderno da escola (mais precisamente o caderno das aulas de Inglês e Francês) e escreveu um diário relatando sua experiência na guerra.

Esta preciosidade escrita em letras miúdas relata o dia-a-dia de um menino apanhado por uma revolução civil, que largou a escola e acabou de fuzil na mão em uma trincheira no meio do mato defendendo uma montanha ao lado de uma estrada de ferro. O Sr. Francisco jamais tinha contado esta história para alguém, e o seu diário ficou guardado junto com as recordações da guerra durante todos esses anos. Gravei uma pequena entrevista com ele e em breve os leitores do blog terão acesso a esse depoimento. Por enquanto mostro o Sr. Francisco e o diário das suas recordações em fotos tiradas na manhã do nosso agradável encontro. Meus sinceros agradecimentos vão para a Sra. Cecília Penteado, que me apresentou ao Sr. Francisco, além de me narrar a sua própria história!

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quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

A corrente separatista durante a Revolução de 1932

Um assunto bastante polêmico, e nem por isso deve deixar de ser discutido: A corrente separatista durante a revolução.
Para entender esta corrente separatista é preciso voltar ao calor dos fatos que vinham ocorrendo em São Paulo após a tomada de poder por Vargas em 1930. O que havia em todo estado de São Paulo era um enorme descontentamento com os mandos e desmandos da Interventoria Federal além de verdadeiras batalhas campais entre as forças paramilitares da Legião Revolucionária e os estudantes paulistas. O clima era tenso e não poucas vezes o sangue corria pelas ruas da cidade. Este fenômeno não era restrito a capital paulista, pelo interior os prefeitos nomeados pela Interventoria e a violência de rua ocorriam com frequência.

Em todo movimento de vulto sempre existe uma ala radical, e durante a mobilização popular pela constituição formou-se uma corrente separatista que pregava a independência de São Paulo como uma república soberana ou a formação de uma federação onde os estados adquiririam a soberania. Entre os principais defensores do separatismo destacavam-se o presidente do Tribunal de Justiça, Costa Manso, os escritores José Alcântara Machado, Monteiro Lobato e o historiador Alfredo Ellis Junior. A gigantesca campanha pela adesão das massas à causa revolucionária, por pautar-se no enaltecimento de valores regionais, trazia em seu bojo o surgimento de argumentos separatistas. Um exemplo desta situação veio de Mário de Andrade, que registrou que o lema "Tudo por São Paulo" – que se fazia presente em faixas, veículos e nos quepes dos soldados – era “a única unanimidade” naqueles agitados dias de 1932.

Vargas viu nessa minoria separatista uma ótima oportunidade de virar a opinião nacional contra a real causa paulista, a Constituição, e usou e abusou do argumento mentiroso que a luta de São Paulo era pela separação - o que acabou tornando-se verdade histórica até os dias de hoje para muita gente, reforçando a famosa frase "Numa guerra, a primeira baixa é a verdade".

Abaixo vemos algumas publicações e folhetos que circularam pela cidade, e que devem ser vistos apenas como peças de um enorme quebra-cabeça no qual nossa história vem sendo montada. O blog TUDO POR SÃO PAULO e seu autor não compactuam com as opiniões retratadas nas peças históricas a seguir, mas nem por isso vai deixar de divulgar os vários aspectos de nossa história.

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Abaixo alguns exemplares do jornal "O Separatista" que começou a circular em janeiro de 1932 e que durou apenas algumas poucas edições.

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segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Medalhas brasileiras da Guerra do Paraguai - Parte I

Tenho recebido algumas mensagens e emails de leitores me incentivando a falar um pouco mais sobre a Guerra do Paraguai, este fascinante e quase esquecido episódio da nossa história. Já publiquei algumas breves matérias sobre os Voluntários Paulistas, sobre a Ordem da Rosa, a Batalha Naval do Riachuelo e sobre a Medalha de Bravura instituída durante este conflito. No intuíto de atender a estes leitores, pretendo aos poucos apresentar algumas das medalhas brasileiras criadas durante este longo e penoso conflito.

Para isso vou me valer do estudo de Francisco Marques dos Santos, grande mestre historiador e colecionador que deixou um legado impressionante a respeito da nossa medalhística. É dele a frase a seguir:
"Nosso enthusiasmo em colleccionar medalhas militares não consiste na posse de frios discos de metal. Ellas transcendem! Têm a grandeza dos monumentos de praça publica. Evocam-nos os surtos de bravura dos patriotas."

Medalha do Forte de Coimbra, Decreto 3492 de 8 de Julho de 1865.

Pelo Sul do Mato Grosso começou a invasão paraguaia. O Forte de Coimbra era a chave da Província e nenhum navio poderia subir o Rio Paraguai sem dar combate e vencê-lo.
A Divisão Barrios atacou o Forte de 26 a 28 de dezembro de 1864, sendo repelida por sua guarnição e auxiliada pelo navio "Anhambahy", nosso único navio artilhado na área. O Forte de Coimbra estava guarnecido por 10 oficiais, 99 praças, 10 índios, 4 vigias da alfândega, 4 civis e 17 presos. O assalto paraguaio iniciou-se ao meio dia do dia 27 e durou até a noite. No dia seguinte os paraguaios que dipunham de 54 peças de artilharia em vários navios, visavam a abertura de uma brecha na muralha do Forte. Novamente a guarnição brasileira consegue se manter por mais um dia e durante a noite recompletavam a munição. Na manhã do dia 28 as muralhas do Forte amanheceram juncadas de cadáveres paraguaios. Na tarde deste mesmo dia, com a tropa exausta e isolada é feita a retirada através do "Anhambahy" e do "Jaurú" que havia subido o rio para buscar reforços. Tomar o Forte de Coimbra custou aos paraguaios cerca de 400 combatentes.

Pelo Decreto 3492, Sua Majestade o Imperador Dom Pedro II concedeu o uso de uma medalha a guarnição do Forte que durante três dias repeliram um inimigo em número superior e aos marinheiros da frotilha de Mato Grosso que participaram do combate e auxiliaram na evacuação do Forte.

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Rendição de Uruguayana, Decreto 3515 de 20 de Setembro de 1865.

A 10 de Julho de 1865, a 1 hora da tarde partiu D. Pedro II e sua comitiva no vapor "Santa Maria" rumo ao Rio Grande. Em 11 de setembro Sua Majestade Imperial chegava ao centro de operações aliadas, que estava em plena condução do cerco as tropas paraguaias em Uruguaiana. Inúmeros preparativos sendo feitos e finalmente no dia 18, antes de desencadear um ataque de grandes proporções, um emissário foi enviado até o comandante paraguaio Coronel Estigarribia propondo uma rendição sem derramamento de sangue. Estigarribia aceitou o que havia recusado dias antes, e os chefes aliados tomaram lugar ao lado de D. Pedro II para assistir o desfile dos 5.545 soldados paraguaios desarmados rumo a prisão. Solano Lopes, chefe militar que era considerado "frio e impassível" chorou ao saber da derrota paraguaia em Uruguaiana. O curso da guerra começava a mudar e os aliados levariam a guerra para o solo paraguaio.

Digno de nota é que quatro dias depois da rendição, o Imperador ainda naquela localidade, recebeu um formal pedido de desculpas do emissário da Rainha da Inglaterra, Sir Edward Thornton a respeito da Questão Christie - o que consistiu em uma importante vitória diplomática brasileira, que restabeleceu as relações diplomáticas entre Brasil e Inglaterra.

A Medalha de Uruguayana traz à lembrança estes felizes episódios que aconteceram no meio da Guerra do Paraguai e foi criada para agraciar os que estiveram presentes e tomaram parte na rendição do exército paraguaio que ocupava a Villa de Uruguayana.
A medalha antagônica a de Uruguayana é a Medalha de Matto Grosso - a medalha dolorosa da Campanha do Paraguai, que custou sangue, dor, miséria e peste aos seus detentores. Ela será assunto de uma futura postagem aqui no blog.

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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Duas fotografias antigas

Para mostrar a falta que faz uma identificação em uma fotografia antiga, apresento a seguir duas fotos diferentes. A primeira delas foi adquirida em uma feira de antiguidades e mostra o Estado Maior do Batalhão Campos Salles, com todos os militares e voluntários devidamente identificados no verso, permitindo ao pesquisador saber mais sobre a participação de cada um dos soldados durante a revolução.

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A outra imagem, infelizmente do tipo mais comum de ser encontrada, é uma belíssima fotografia de um grupo de militares em campanha com algumas araucárias (também conhecidas como Pinheiro-do-Paraná) ao fundo - árvore típica da região Sul.
Além desta indicação, não é possível sequer saber se os militares na foto são soldados paulistas ou governistas, ou mesmo se a foto é de 1930 ou de 1932. É possível ler no jornal nas mãos do Comandante parte do título "DO POVO", mas não consegui nenhuma informação de qual jornal poderia ser. Caso alguém tenha um bom palpite sobre a foto, não deixe de escrever!

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Medalha oferecida aos soldados do Paraná ao término da Revolução de 1930.

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