quinta-feira, 28 de abril de 2011

Capacetes de Aço

Hoje eu trago aos amigos leitores do blog algumas imagens da "tropa" de capacetes de aço que encontram-se na coleção.
O interessante dessas fotos é justamente poder olhar o conjunto e identificar além dos modelos diferentes, os tons de cor e a ação dos 79 anos em cada uma das peças criando inúmeras variantes. Pode-se dizer que cada capacete além de sua própria história, traz características únicas como inscrições, emblemas, oxidação, marcas de combate, etc...

Até onde se sabe, existiram quatro fabricantes de capacetes durante o esforço de guerra paulista em 1932:
Companhia Paulista de Louças Esmaltadas; Indústrias Reunidas Martins Ferreira; Fábrica de Móveis de Aço Fiel e a Fábrica de Cofres Bernardini. Algumas entregavam os capacetes prontos para distribuição nas linhas de frente, enquanto outras entregavam o casco de aço para serem adicionados posteriormente a pintura e a carneira pela Associação Comercial de São Paulo.

Nas imagens abaixo, considerando a pintura original, identifiquei pelo menos três tons diferentes de verde (que além do pigmento, variam de acordo com a diluição da tinta usada na pintura) e o cinza-grafite presente nos primeiros modelos Adrian.

Como manda a tradição milenar entre os soldados no campo de batalha, capacetes e outros pertences do inimigo são cobiçadas "presas de guerra". Durante a Revolução de 32 não foi diferente e os capacetes paulistas eram objeto de desejo dos soldados que combatiam os paulistas e é possível identificar passagens sobre isso em diversas narrativas do conflito.
Estima-se que foram fabricados em São Paulo algo entre 70 e 100 mil unidades dos três diferentes modelos de capacetes. Após a guerra o exército levou algumas prensas e ferramentas para a Fábrica do Andaraí no Rio de Janeiro e esta continuou a produção de capacetes (ainda que com algumas modificações) para equipar o exército a partir de 1933.

Os capacetes paulistas que atravessaram as décadas e estão entre nós hoje em dia são ao mesmo tempo ícones da luta paulista pela liberdade no Brasil, como também são testemunhas silenciosas da crueza da guerra.
Cada um deles representa um soldado e um ideal e por isso devem ser tratados com reverência e respeito.

"Capacete de Aço.
Corôa de louros do herói que lutou,
Auréola santa do mártir que tombou."
Guilherme de Almeida

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3 comentários:

  1. sem comentario,e fantastico cada capacete e uma historia Gonçalo

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  2. AMIGO , PARABÉNS PELO BLOG . SOU MINEIRO E ADMIRO A HISTÓRIA DA REVOLUÇÃO PAULISTA DE 1932. COLECIONO CAPACETES , SENDO POSSUIDOR DE 5 PEÇAS ( DUAS DO MODELO PAULISTA E DUAS DO MODELO INGLES ) . MINHA ÚLTIMA AQUISIÇÃO FOI UM " PAULISTA " . TENHO ALGUMAS DÚVIDAS SOBRE A PEÇA . ELA POSSUI DOIS TONS DE VERDE , UM VERDE OLIVA NO INTERIOR E UM VERDE MUSGO NO EXTERIOR. O PROBLEMA É QUE A PINTURA (EXTERNA E INTERNA ) APARENTA SER ORIGINAL !!! O COURO SÓ TRAZ A INSCRIÇÃO "PAULISTA" SEM A FAMOSA FRASE "OFFERTA DO POVO PAULISTA AO SOLDADO DA CONSTITUIÇÃO ". NÃO POSSUI O ANEL SANFONADO EM VOLTA DO FELTRO DA CARNEIRA QUE POR SINAL ESTÁ EM EXCELENTE ESTADO DE CONSERVAÇÃO . PODERIA ME DIZER SE A PEÇA FOI REPINTADA , DEVIDO AOS DOIS TONS DE VERDE PRESENTES ? MEU CONTATO : marcotulioataide@bol.com.br

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    1. tenho um original escrito no couro . oferta do povo paulista aos soldados da constituição.um filho de um soldado que me deu. muito bonito .

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