domingo, 17 de abril de 2011

Cartaz da campanha de Guilherme de Almeida

Apresento um interessante cartazete da campanha eleitoral do poeta Guilherme de Almeida (1890-1969) pelo PR. A peça veio junto com um lote de documentos sobre a Revolução de 32 e não está datada.
Seria ótimo se atualmente pudéssemos depositar nosso voto em candidatos com biografia similar a deste grande brasileiro.

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Abaixo uma pequena biografia de Guilherme de Almeida, extraída da Biblioteca Virtual do Governo do Estado de São Paulo.

Natural da cidade de Campinas. Seu pai foi o jurisconsulto e prof. de Direito Dr. Estevam de Araújo Almeida. Formou-se pela Faculdade do Largo São Francisco. Desde os bancos universitários já se manifestaram largamente seus pendores literários com farta colaboração nas revistas e jornais estudantis dia época.
Inicialmente exerceu a advocacia no escritório do pai até o seu falecimento. Afastou-se depois para dedicar-se exclusivamente às letras e ao jornalismo, setores onde acabou pontificando como grande expoente da vida cultural brasileira.
Foi um dos promotores da Semana de Arte Moderna, em 1922. Com a morte de seu ilustre pai, em 1926, veio a ocupar sua vaga na Academia Paulista de Letras, dois anos depois. E não demorou muito para que, em 1930, fosse eleito para a Academia Brasileira de Letras, na vaga de Amadeu Amaral, na cadeira que tinha como patrono Gonçalves Dias.

Em 1932, por ocasião do Movimento Constitucionalista, integrou-se inteiramente nos seus ideais, lutando ardorosamente, o que lhe valeu ser exilado para a Europa, onde permaneceu um ano. Foi sob a inspiração do Movimento de 32 que produziu duas notáveis páginas Poéticas, referentes ao mesmo. Uma foi 'Moeda Paulista”, escrita lias próprias trincheiras de Cunha, onde servia como simples soldado; outra "Nossa Bandeira', escrita de um só folego na tarde de 2 de novembro de 1934, quando o país já estava reconstitucionalizado (razão pela qual se bateu de armas na mão. Este seu poema à bandeira paulista é um hino ardente à terra e ao passado da gente bandeirante. Outra sua produção poética digna de menção, relacionada com a Bandeira paulista, é 'A Santificada', escrita e dada à publicidade em 1946, quando da volta dos símbolos regionais, frente à liberdade que aos mesmos a Constituicão desse ano devolvia, suprimida desde a do Estado Novo, em 1937.

Ocupou sempre cargos de relevo na vida burocrática de São Paulo e, para culminar, ocupou a presidência da Comissão do IV Centenário da Cidade de São Paulo, em 1954.
Data de então a concepção e execução do poema épico "Acalanto de Bartira', na comemoração desse grandioso centenário. Pertenceu a grande número de instituições culturais do Brasil e do estrangeiro; possuía nada menos que seis títulos honoríficos. Data de 1917 o ano em que se apresentou no cenário da literatura nacional com o seu primeiro livro de versos intitulado 'Nós", de cujas primícias chegou a assistir às comemorações docinqüentenário. Daí para a frente a sua produção literária foi ininterrupta, abrangendo poema, ensaios, traduções, atividades jornalísticas, etc., mas sempre dominando a tônica da poesia. Os volumes publicados passam de sessenta.
Além de toda essa vasta bagagem cultural, alinhamos ainda o seu nome entre os grandes heraldistas do Brasil. Foi ele o autor do brasão da cidade de São Paulo, em colaboração com José Wasth Rodrigues (em 1917). São também de sua autoria os brasões de Petrópolis e Brasília - a nossa nova Capital, além dos de Caconde, lacanga, Embu, Londrina e Volta Redonda.

Sem dúvida, a figura desse grande escritor e heraldista bandeirante deve ser posta em destaque-lo cenário nacional pela vastidão dos seus conhecimentos literários e artísticos e pela penetração de sua obra que se reflete numa variedade e profundidade sem igual.

Um comentário:

  1. Bela lembrança, Ricardo!
    Saudoso campineiro! =)

    Permito-me uma observação... Com licença!
    Segundo admiradores e até companheiros de Guilherme de Almeida, da Academia Campinense de Letras, o ilustre poeta não chamava o poema "Nossa Bandeira" assim. Ele, segundo ouvi, até se sentia frustrado por tanto, argumentando que "Nossa Bandeira é a Bandeira do Brasil"! Assim, o nome "original" da dita poesia seria "Bandeira Paulista".
    Tomo a liberdade de citar a poetisa gaúcha, uma paulista fervorosa, como referência (que até conhecia o poeta): Dona Arita Damaceno Petená.
    Gostaria, também, de recordar que foi ele o autor da letra da Canção do Expedicionário, o "Hino da FEB" na Segunda Guerra Mundial ("Por mais terras que eu percorra não permita Deus que eu morra sem que volte para lá...").
    Aliás, reza a história que, assistindo no pátio da Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx, de Campinas) os alunos cantarem a Canção do Expedicionário, ele teria comentado: "É preciso ter nervos de aço para tanta emoção!"

    Grande post, amigo!
    Forte abraço, Paulista! =)

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