terça-feira, 16 de agosto de 2011

Distintivos políticos paulistas

Apresento hoje dois raros distintivos políticos dos anos 1930: Um deles do Partido Democrático de São Paulo e o outro do Tenente João Cabanas. Fragmentos que representam a cena política de São Paulo da época e que estão intimamente relacionados com a Revolução de 1932.

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O Partido Democrático foi fundado em fevereiro de 1926, reunindo elementos descontentes com o longo domínio do Partido Republicano Paulista (PRP) nos governos do estado de São Paulo e da República. Seu primeiro presidente foi o conselheiro Antônio Prado, antigo político do Império, agricultor, banqueiro e industrial. Entre seus principais líderes estavam Francisco Morato, Paulo Nogueira Filho e Marrey Júnior, e entre seus membros predominavam fazendeiros e profissionais liberais (...) O PD mostrava-se entusiasmado pelos feitos da Coluna Prestes (1925-1927) e não manifestava maiores expectativas com relação às disputas eleitorais. A estréia eleitoral do partido ocorreu apenas nas eleições municipais de 1928, quando se aliou a elementos de esquerda mas foi duramente derrotado pela máquina do PRP.

Nas eleições presidenciais de 1930, o PD apoiou a formação da chapa da Aliança Liberal encabeçada pelo líder gaúcho Getúlio Vargas. Diante da derrota de Vargas, alguns dirigentes do partido mostraram-se conformados com o resultado, mas um outro grupo, liderado por Francisco Morato, apoiou as conspirações político-militares contra o governo federal que resultaram na Revolução de 1930. Quando o presidente Washington Luís foi deposto, a junta militar que assumiu o poder ofereceu o governo de São Paulo a Francisco Morato. Este no entanto recusou a indicação, argumentando que só poderia aceitá-la com o consentimento de Vargas, líder supremo do movimento revolucionário. Ao assumir o governo dias depois, Vargas, pressionado pela jovem oficialidade militar que o apoiava, preferiu nomear o líder tenentista João Alberto para o cargo de interventor federal em São Paulo. Iniciaram-se então os conflitos entre o PD e o interventor.

Em abril de 1931, após sucessivos desentendimentos, o PD declarou seu rompimento com João Alberto. A substituição deste, em julho, por Laudo de Camargo satisfez parcialmente os democráticos. A tensão, porém, continuou e em novembro Laudo de Camargo renunciou, sendo substituído pelo general Manuel Rabelo, ligado aos "tenentes". Em fevereiro de 1932, o PD finalmente divulgou um manifesto rompendo com Vargas. Seus dirigentes iniciaram então entendimentos com os antigos adversários do PRP, que levaram à formação, no mês seguinte, da Frente Única Paulista (FUP). As principais reivindicações da FUP eram o retorno do país ao regime constitucional e a recuperação da autonomia estadual pelos paulistas.

Vargas recuou e nomeou interventor Pedro de Toledo, nome simpático ao PD. Ao mesmo tempo, promulgou o novo Código Eleitoral, primeiro passo para a reconstitucionalização do país. Tais medidas, porém, não foram suficientes para conter a exaltação dos membros da FUP, que a partir de maio passaram a dominar inteiramente o secretariado estadual. Controlando a situação no estado, a FUP deflagrou, em julho de 1932, a Revolução Constitucionalista, que visava à derrubada de Vargas. Contudo, sem a esperada adesão de mineiros e gaúchos, o movimento fracassou. Em outubro, após a rendição, os principais líderes do PD foram para o exílio.

Em 1933, quando finalmente se realizaram as eleições para a Assembléia Nacional Constituinte, formou-se a Chapa Única por São Paulo, composta por membros da FUP que haviam permanecido no país. A Chapa Única venceu as eleições no estado, mas a ampla maioria dos eleitos pertencia ao PRP. Naquele momento, a nomeação para a interventoria de Armando de Sales Oliveira, nome vinculado ao PD mas com bom trânsito entre as forças políticas do estado, contribuiu para distensão política entre os paulistas e o governo federal. Em 1934, por iniciativa de Armando Sales, foi criado o Partido Constitucionalista. O PD decidiu incorporar-se à nova agremiação e foi extinto em fevereiro daquele ano, após exatos oito anos desde sua fundação. (Fonte: CPDOC/FGV)

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Tenente João Cabanas (1895-1974) foi um dos principais membros do tenentismo. Como 1º Tenente do Regimento de Cavalaria da Força Pública, participou ativamente na Revolução de 1924, em São Paulo, comandando a ocupação militar da Estação da Luz, atuando no cerco de Catanduvas e cobrindo a retaguarda da Coluna Miguel Costa até Guaíra. Suas ações à frente da coluna estimularam a imaginação popular e o surgimento de lendas sobre sua pessoa e sobre seus feitos militares. Sua coluna recebeu o nome de "Coluna da Morte". Eram-lhe atribuídos poderes sobre-humanos em combates e fugas espetaculares. Por conta disso, o governo colocou sua cabeça a prêmio por quinhentos contos de réis.

Exilou-se no Uruguai, não seguindo a Coluna. Durante a Revolução de 1930 volta ao Brasil e se junta as forças que colocaram Getúlio Vargas no poder. Foi o principal tenente a participar da cerimônia da amarração dos cavalos gaúchos no obelisco da atual Avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro, símbolo do triunfo da revolução de 1930.

Decepcionou-se com os rumos do governo de Getúlio Vargas e ingressou no Partido Socialista Brasileiro de São Paulo. Escreveu cartas a Getúlio Vargas, criticando a política cafeeira do Governo Provisório. Criticou, em fevereiro de 1932, no seu livro "Fariseus da Revolução", especialmente o descalabro que foram as administrações dos tenentes nos estados, usando como exemplo João Alberto Lins de Barros que governara São Paulo entre 1930 e 1931, chamando a atenção para a situação paulista pouco antes de eclodir a Revolução de 1932:

"João Alberto serve como exemplo: Se, como militar, merece respeito, como homem público não faz juz ao menor elogio. Colocado, por inexplicáveis manobras e por circunstâncias ainda não esclarecidas, na chefia do mais importante estado do Brasil, revelou-se de uma extraordinária, de uma admirável incompetência, criando, em um só ano de governo, um dos mais trágicos confusionismos de que há memória na vida política do Brasil, dando também origem a um grave impasse econômico (déficit de 100.000 contos), e a mais profunda impopularidade contra a Revolução de Outubro... e ter provocado no povo paulista, um estado de alma equívoco e perigoso. Nossa história não registra outro período de fracasso tão completo como o do Tenentismo inexperiente!" (Fonte: Wikipedia)

Um comentário:

  1. Com licença, existe algum tipo de bandeira do Movimento Tenentista?

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