sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Sra. Maria de Castro Seiffert

Recentemente tive o prazer de receber em minha casa a visita da Sra. Maria de Castro Seiffert, Paulista, neta de um Voluntário da Pátria e que com apenas 14 anos passou pela amarga experiência de vivenciar o drama de uma guerra durante a Revolução Constitucionalista.

Nascida em 1918 na cidade da Areias, a Sra. Maria de Castro e seus familiares tiveram que abandonar a casa onde moravam, que acabou invadida e saqueada por tropas federais em 1932. A cidade de Areias está localizada às margens do antigo traçado da estrada São Paulo-Rio, no Vale do Paraíba e durante a revolução foi local de importantes batalhas dada a sua localização estratégica na Frente Norte de Operações. A cidade foi pouso de tropas paulistas e depois do retraimento foi ocupada por forças goverrnistas - sendo bombardeada pesadamente pelos dois lados do conflito assim como as cidades vizinhas: Bananal, Silveiras, Queluz, Lavrinhas, Cruzeiro, Piquete, Cachoeira Paulista, Canas, Lorena, Cunha e Guaratinguetá.

A família da Sra. Maria de Castro tem um longo histórico de serviços prestados à Pátria: Seu avô, o Sr. Miguel Alves Marques foi Voluntário da Pátria durante a Guerra do Paraguai, condecorado como Cavaleiro da Ordem da Rosa por atos de bravura durante a campanha; Seu tio Ten. Cel. Osorio Alves Marques foi Oficial da Força Pública do Estado de São Paulo, e seu primo serviu no Regimento de Cavalaria.

Abaixo a Sra. Maria de Castro mostra com muito orgulho as condecorações de seu avô: Medalha da "Campanha do Paraguay" com o passador em prata indicando 4 anos em campanha e a Ordem da Rosa. O diploma assinado pelo Imperador D. Pedro II, menciona atos de bravura nos combates do dia 16/17 de Abril e 24 de Maio de 1866, ou seja, na Batalha do Paso de la Patria e na épica Batalha de Tuiutí respectivamente - esta última considerada a maior e mais sangrenta travada na história da América do Sul. A belíssima foto foi tirada por sua neta, Adriana.

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No início da Revolução de 32, a Sra. Maria de Castro ganhou das mãos de um soldado constitucionalista estacionado na cidade uma pequena Bandeira Paulista que ele trazia consigo em seu uniforme. Esta bandeira foi conservada com muito carinho ao longo de 79 anos e foi a mim presenteada - a partir de agora ela terá sempre local destaque no acervo!

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Agradeço de coração pela visita a Sra. Maria de Castro, a sua filha Herta e sua neta Adriana. Foi uma grande honra receber uma família Paulista com "P" maiúsculo e ouvir tantas histórias interessantes sobre a revolução. Muito obrigado!

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7 comentários:

  1. Parabéns Ricardo!!

    Fiquei arrepiado só de ver essa bandeira, imagino o quanto você ficou ao ganha-la.

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  2. QUE HISTÓRIA MARAVILHOSA,PARABÉNS SRA MARIA DE CASTRO.GRANDE MATÉRIA. Henrique

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  3. Gonçalo disse É muita emoção,essa bandeira,é de arrepiar mesmo.sem comentários.
    PARABENS Á SRA MARIA DE CASTRO.!

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  4. QUE EMOCAO VER A FOTO DA SRA MARIA MOSTRANDO AS MEDALHAS DO AVO!! BRASILEIRA NETA DE HEROI!!

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  5. Ricardo, não seja maucaráter! CONTE-NOS AS HISTÓRIAS, AMIGO!!! =D

    Fico MUITO FELIZ por você, pelo privilégio de conhecer a nobre Dona Maria e receber DE SUAS MÃOS tão magnífico presente! Você merece, rapaz! Você fala dos Paulistas, nos presenteando com essas histórias e imagens... Salve esses "Paulistas Brasileiros". Mas... Sem seu trabalho, eles seriam meramente ignorados pelo tempo (e superados por ele).

    Que Deus Ilumine seus caminhos e seu trabalho! Que seja tão digno quanto dona Maria e tantos outros que nos fazem ter saudade e prazer pensando num São Paulo Digno: simples, porque nobre; Paulista, porque hospitaleiro e heterogêneo; Mais que um lugar, um "estado de espírito", em que "família", "Pátria", "tradição" e "Liberdade" não são conceitos conservadores nem hipócritas, são peças que nos fazem funcionar por esta terra que pede harmonia, por esta gente que não pode parar.

    Parabéns, amigo! =)
    Viva São Paulo!

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  6. Tão miudinha! parece minha avó.

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  7. No livro "A Barca de Glayre" (cujo o corpo da obra trata-se de cartas trocadas entre Monteiro Lobato e seu amigo Godofredo Rangel) Monteiro Lobato conta que quando se mudou para Areias ficou hospedado na casa do Sr. Miguel Alves Marques o ex-combatente da Guerra do Paraguai.

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