quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Medalha da Campanha do Atlântico Sul 1942-1945

Sabendo que os leitores do blog além de entusiastas da Revolução de 32 também são interessados na História do Brasil, abro este espaço de vez em quando para mostrar um pouco dos inúmeros momentos em que o povo brasileiro fez valer a frase "Verás que um filho teu não foge à luta". A Campanha do Atlântico conduzida pela FAB durante a 2a Guerra Mundial foi um destes momentos.

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Desde o final de 1942, os submarinos do Eixo estavam sendo varridos do Atlântico Norte. Por isso, foram mandados para o Atlântico Sul, onde acreditavam obter melhores resultados com riscos menores. No entanto, não foi bem assim que as coisas se desenrolaram, porque aqui encontraram os bem treinados esquadrões americanos e as unidades brasileiras se superando em contínuo aprimoramento.

No dia 6 de janeiro de 1943, ocorreu a primeira vitória em águas brasileiras: o U-164, comandado por Fechner, foi destruído ao largo de Fortaleza pelo esquadrão VP-83 e apenas um tripulante sobreviveu. Uma semana depois, o mesmo esquadrão destruiu o submarino U-507, comandado por Schacht, ao largo de Parnaíba. Desta feita, não houve sobreviventes. O fato foi muito comemorado porque o U-507 havia sido o protagonista daquele ataque já mencionado, em agosto de 1942, quando foram afundados seis navios brasileiros, episódio que acabou conduzindo o Brasil à guerra.

À medida que a presença de barcos inimigos em nossas costas ia aumentando, a atividade aérea aumentava proporcionalmente. A área de Salvador tinha enorme influência no panorama da guerra, não só pela sua posição estratégica, mas também pela grande movimentação de seu porto. Ali eram organizados e tinham origem os comboios Bahia –– Trinidad e ali terminavam os Trinidad –– Bahia. O mesmo acontecia com os comboios entre Rio de Janeiro e Bahia. Além disso, passavam pela área os grandes comboios que demandavam os EUA e os que de lá vinham. Todos esses comboios contribuíram para multiplicar o movimento na Baía de Todos os Santos, pois alguns navios desincorporavam-se dos comboios para atracar no porto de Salvador, enquanto outras embarcações oriundas do porto ficavam apenas aguardando a passagem dos comboios para a eles se incorporarem.

Aos poucos, mas com muita segurança, as unidades brasileiras se ajustaram e a partir do mês de abril já se havia organizado uma seção de operações onde começavam e terminavam todas as patrulhas: ordem de missão, briefing, pastas de normas e códigos e relatório de missão. O treinamento foi implantado e campos de tiro e bombardeio foram construídos. Em 5 de abril de 1943, um Hudson de Salvador atacou um submarino ao largo de Sergipe com 95% de certeza da destruição; o ataque, no entanto, não pode ser considerado acerto total pelo fato de não ter sido fotografado, nem haver sobreviventes e ou confirmação de perda pelo inimigo. Vale notar, porém, que destroços foram recolhidos sobrenadando na imensa mancha de óleo e que corpos dilacerados foram encontrados na praia, três dias depois.

Os submarinos alemães continuaram chegando do Atlântico Norte e, no decorrer do primeiro semestre de 1943, afundaram 19 navios aliados em águas brasileiras. Nesse mesmo período, foram destruídos três dos submersíveis inimigos. (Fonte: A Segunda Guerra Mundial e a Aviação de Patrulha no Brasil. Major-Brigadeiro-do-Ar Reformado Ivo Gastaldoni)

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Criada anos após a guerra , pela Lei No 497 de 28 de novembro de 1948, a Medalha da Campanha do Alântico Sul destinava-se aos militares da ativa, da reserva e reformados e aos civis que se tenham distinguido na prestação de serviços relacionados com a ação da Força Aérea Brasileira no Atlântico Sul, no preparo e desempenho de missões especiais, confiadas pelo Governo e executadas exclusivamente no período de 1942 e 1945. Para ser agraciado com essa medalha, além da ausência de nota desabonadora, eram condições essenciais:

a) ter se distinguido na prestação de serviços, relacionados com a ação da Fôrça Aérea Brasileira no Atlântico Sul;
b) ter cooperado na vigilância do litoral, no transporte aéreo de pessoal e material necessários ao sucesso da campanha, nos serviços relativos à segurança de vôo e à eficiência das operações dos aviões comerciais e militares.

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Abaixo vemos o modelo de brevê de Aviador Militar usado durante a 2a Guerra Mundial e o brevê de Aviador Naval.
A Aviação Naval participou ativamente de operações de patrulha e bloqueio em 1924 e em 1932. Durante a 2a Guerra Mundial a Aviação Naval foi extinta e colocada sob o comando da Força Aérea Brasileira, porém seu pessoal e equipamentos foram largamente empregados na patrulha do Atlântico.

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Um comentário:

  1. Ricardo, eu tenho um breve de aviador militar, como posso verificar se é autêntico? Existe algo que possa identificar como tal?

    Grato.

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