terça-feira, 18 de outubro de 2011

Medalha de Bravura da Guerra do Paraguai - Batalha de Itororó

Trago hoje uma peça 64 anos mais antiga que a Revolução de 32 e com um significado histórico muito grande: Trata-se de uma Medalha de Bravura da Guerra do Paraguai com o passador datado de 6 de dezembro de 1868, data da Batalha de Itororó, a primeira batalha da série conhecida como Dezembrada.

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Segundo José Bernardino Bormann, no dia 5 de dezembro, o Marechal Duque de Caxias chega para inspecionar o acampamento, a tropa e sua disposição para a empreitada. Interrogado por Caxias a respeito da ocupação da ponte sobre o arroio Itororó e suas imediações, o General Argolo Ferrão respondeu que não era possível por não dispor de cavalaria suficiente e nem mesmo de mulas para auxiliar na tração da artilharia. Ainda que com notícias desagradáveis sobre a ocupação do arroio, Caxias resolveu seguir adiante e ocupar a posição pretendida enviando os Esquadrões de João Niederauer Sobrinho e dois Batalhões de Infantaria, com a promessa de aumentar a força e o poder de fogo com mais infantaria e artilharia assim que chegassem animais para transportar maior carga.

Para se chegar à ponte de Itororó por meio da cidade de Santo Antônio, as tropas brasileiras percorreriam mais de três quilômetros, por um caminho difícil para a cavalaria e artilharia. Para a segurança do grupo, a Brigada do Coronel Fernando Machado composta por quatro Batalhões seguia na retaguarda, fazendo a segurança do 2º Corpo de Exército. Esta última assegurava a proteção do primeiro grupo, o Esquadrão de Cavalaria da Brigada do Coronel Niederauer Sobrinho.

Quando a força-tarefa aliada chegou à ponte de Itororó, o exército comandado pelo Coronel Serrano já se encontrava no local, aguardando para o confronto com os brasileiros. Por ordem do Marechal Argolo Ferrão Filho, o exército brasileiro iniciou o ataque, enquanto o 1º Batalhão de Infantaria seguia na retaguarda da Brigada do Coronel Fernando Machado para garantir sua segurança. O Coronel ordenou, ainda, que cavalarias, brigadas e bocas-de-fogo seguissem para a ponte para o enfrentamento. Do lado paraguaio, o Coronel Serrano reforçou a defesa do terreno ocupado, sabendo que a luta na ponte seria difícil, engrossando o número de soldados na ponte apenas com as tropas que estavam mais próximas. A luta dependeria mais da destreza de seus homens do que a quantidade de combatentes sobre o rio. Além disso, uma boca-de-fogo fora colocada estrategicamente próxima à ponte para eliminar qualquer soldado que a ultrapassasse da outra margem.

O primeiro embate deu-se com o Tenente-Coronel João Antônio de Oliveira Valporto,o qual avançou com cinco Companhias do 1º Batalhão de linha em direção à boca-de-fogo postada pelos paraguaios. Sua investida foi positiva, pois conseguiu tomá-la; todavia, viu-se diante de uma grande linha de infantaria inimiga e, ainda, mais quatro bocas-de-fumo, as quais atacaram com poder devastador. Assim sendo, as Companhias do Tenente-Coronel recuaram de forma confusa para o outro lado.

Após inúmeras investidas o exército brasileiro estava enfraquecido, perdendo muitos homens e deixando outros tantos fora de combate por conta de ferimentos graves ou contusões. O atraso no aparecimento do general Osório para combate, conforme determinado previamente por Caxias, fez com que este último, aos 65 anos de idade, marchasse em direção ao inimigo, dando vivas ao Imperador. Os soldados enfraquecidos, porém tocados pela bravura de seu marechal, seguiram-no para o embate final com ânimo redobrado e tomaram a posição de maneira definitiva.

Ao final da sangrenta batalha contavam-se 285 brasileiros mortos, 1.356 feridos e 95 praças desaparecidos. O lado paraguaio teve 1.600 baixas, entre mortos e feridos. (Fonte: Wikipedia)
Uma curiosidade a respeito da famosa cantiga "Fui no Itororó":
O escritor Veríssimo de Melo relaciona Itororó com o ribeirão homônimo, palco de grande batalha em 6/12/1868 entre as tropas do Brasil e do Paraguai. Para isso, ele se baseia numa versão recolhida em Santa Catarina, em que aparecem os nomes do famoso general Pedro Juan Caballero e do major Moreno, que controlava a artilharia, impedindo a passagem da ponte de Itororó, provocando muitas mortes e assim ensangüentando as águas do ribeirão - daí a alusão de não se achar água para beber. O último verso seria uma reminiscência da frase latina "Veni, vidi, vinci" dita por Júlio César ao Senado de Roma:

Eu fui lá no Tororó
Beber água e não achei,
Ver Moreno e Caballero
Já fui, já vi, já cheguei
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Instituída pelo Decreto nº 4131 de 28 de março de 1868, como uma medalha de mérito para aqueles que se distinguiram por bravura em qualquer ação de guerra - uma demonstração dada pelo Imperador, do quanto apreciava o valor das praças das forças em operações contra o Governo do Paraguai.

Para aqueles que tivessem mais de um feito de bravura, seria entregue um passador com a inscrição de data ou local de cada feito meritório. Os nomes dos agraciados eram publicados na Ordem do Dia do Exército, com declaração das vezes em que o combatente foi condecorado com a medalha.

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Um comentário:

  1. Ola...mto bom e bem feito esse blog. Parabéns. Estou a procura de uma poesia sobre a Revolução de 1932 que aprendi nos tempos de escola, em 1966. Me lembro de pouca coisa, tipo: Foi no ano de 32, que São Paulo com bravura, repeliu em praça pública, os crimes da ditadura. O bravo povo paulista, cheio de amor e civismo, defendeu a liberdade com todo o patriotismo. A mocidade paulista, levada pelo ideal...e por a fora. Peço por favor, se alguém conhece esses versos, por gentiliza em enviem pelo e-mail:
    pajarito-bird@hotmai - desde já agradeço.

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