sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Marmita velha é que faz comida boa

Trago hoje um artefato que pertenceu ao meu avô Manoel Maia Neto e que chegou até minhas mãos através das minhas primas Marina de Campos Maia e Maria Elisa de Campos Maia. Trata-se de uma marmita de campanha usada durante a revolução de 1932. Este era o utensílio usado para a alimentação das tropas entrincheiradas nas frentes de combate. A cozinha de campanha ficava na retaguarda e alguns valentes soldados abasteciam as marmitas e as distribuíam para os soldados em postos avançados, que sempre comemoravam sua chegada.

Este exemplar esteve no setor de Vila Queimada (vilarejo entre Lavrinhas e Queluz, as margens do que é hoje a Rodovia Presidente Dutra) e provavelmente passeou pelas trincheiras do Morro Verde, Morro da Pedreira, Vala Suja...sendo trazido de volta pelo meu avô, guardado pelo meu tio, descoberto por minhas primas e apresentado para vocês aqui no blog!

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Soldados paulistas na hora da bóia, usando um modelo similar de marmita.

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"À nossa frente, lá adiante, Lavrinhas nos esperava para nova série de argruras. Atrás de nós, Vila Queimada ao abandono. Quase destruídas as suas velhas habitações. Os seus morros queimados pelo incêndio das granadas. Os vales enegrecidos pelo fogo eram como bôcas desdentadas gritando contra a maldade capaz de inventar uma manhã daquelas. Mais adiante na derradeira oração do Morro Verde, pedindo a primavera de Paz entre os homens de boa vontade.
Mas os homens eram de má vontade..."
Palmares pelo avesso, Paulo Duarte.
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Cartões postais enviados dos campos de batalha na frente de Queluz/Vale do Paraíba.

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7 comentários:

  1. Excelente!!! Pedacinhos da História

    Talvez para maioria isto seja apenas mais uma "coisa velha" mas poucos conseguem ver que este item comum tem muito significado.

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  2. João Marcos Carvalho11 de novembro de 2011 13:06

    Caro Ricardo, apenas uma retificação: a marmita histórica de seu saudoso e querido avô tem 79 anos.
    Abraços.

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  3. Tem razão João Marcos. Aparentemente meu interesse pela matemática continua menor do que meu entusiasmo por história...

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  4. Chega a arrepiar Ricardo!
    Obrigado por compartilhar.

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  5. Ola Ricardo.
    Aqui vai meu simples comentário,mas de coração.
    AI esta a RECORDAÇÃO DE SeU AVÕ E UM COMBATENTE
    DA EPOPEIA DE 1932.QUE DEUS O TENHA
    Gonçalo ricci
    Abraço








    Aqui vai meu simpres comentario

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  6. Caro Ricardo, a excelente matéria sobre as marmitas dos guerreiros paulistas de 1932 me levou a uma reflexão correlata, sobre um importante elo cultural que liga o povo dos diversos rincões do nosso Estado: A culinária!

    Muito ouço falar sobre São Paulo "não ter" uma culinária própria e nem mesmo um prato típico. Ignorância. Lamentável quando a ignorância em tela é exteriorizada por pretensos Historiadores que melhor fariam se se apresentassem como "Estoriadores"...

    São Paulo tem uma culinária riquíssima, além do tradicional "Virado à Paulista", prato completo e até Patrimônio Imaterial da cidade de Porto Feliz.

    Não obstante, uma verdade histórica pouquíssimo falada é a relativa ao fato de que a tão decantada culinária mineira é, na verdade, PAULISTA! É nossa! É nossa herança às Minas, legada quando do desbravamento daqueles sertões por parte dos Bandeirantes de São Paulo.

    Encontrei, inclusive, uma interessante matéria do Jornal "O Estado de São Paulo" que revela o fato.

    Segue o link:

    http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos%20paladar,comida-mineira-e-paulista-e-tambem-caipira,3355,0.htm

    Grande Abraço!

    E, sempre, Saudações Paulistas!

    Carlos Vasconcelos.

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