sexta-feira, 1 de junho de 2012

Mais brevês da aviação militar brasileira

No início do ano, trouxe alguns brevês usados pelos aviadores que fizeram a história da nossa aviação militar. Hoje trago mais algumas destas insígnias usadas nos primórdios da aviação militar paulista e que conforme vimos anteriormente não eram padronizadas nem regulamentadas, seguindo basicamente o que era usado na Europa por volta da 1a Guerra Mundial. Os pilotos franceses deste conflito usavam em seu uniforme todo tipo de águia para mostrar que eram pilotos e uma marca em especial, a Bijoux FIX Company fabricava um modelo para senhoras que era popular entre os pilotos, por ser de tamanho maior e mais chamativo. Outro fabricante popular entre os aviadores franceses era a Bijoux MORAT, que fabricava uma águia mais detalhada e que é bastante rara de ser encontrada atualmente.

Abaixo uma propaganda da marca Bijoux FIX, claramente voltada aos militares franceses.

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Estes distintivos em forma de águia certamente foram referência para os aviadores da Força Pública paulista que neste período seguia o modelo francês de instrução militar - sendo que posteriormente estas insígnias foram regulamentadas para uso no uniforme na Aviação Militar e na Aviação Naval nacionais com algumas modificações, conforme diagrama abaixo.

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Detalhe de túnica cáqui e com laço húngaro em exposição no MUSAL no Rio de Janeiro. (foto gentilmente cedida por Ricardo A.)

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Abaixo uma insígnia de fabricação da empresa MORAT do período entre 1916-1918.

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A microscópica punção do fabricante MORAT fotografada com uma lente especial, trazendo as iniciais C e M.

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A famosa águia FIX, também de fabricação entre 1916-1918. Há que se tomar um certo cuidado com as reproduções deste tipo de insígnia existentes no mundo do colecionismo, porém existem características como o tipo de presilha usada na parte de trás da peça, além da localização e os tipos da punção do fabricante que tornam possível a identificação de um exemplar de época e de uma reprodução atual.

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Abaixo o Major Aviador Godofredo Vidal, instrutor da escola de Aviação Militar e que em 1934 fundou e organizou o Serviço Metereológico Militar, instalando-o no Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro.

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Uma águia em prata 900 com pedras incrustadas. É impossível afirmar com certeza se estas peças foram do uso de aviadores brasileiros ou paulistas. A procedência das mesmas pode no entanto trazer algum indício de seu uso no passado, algo na linha do "diga-me com quem andas e eu te direi quem és". Com exceção da águia prateada mostrada abaixo, todas as demais peças deste tópico vieram de coleções de antigas insígnias militares brasileiras, formadas há mais de 50 anos.

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Na foto tirada durante a Revolução de 1932, o Capitão Adherbal Oliveira recém chegado do Rio de Janeiro junto com o avião Newport-Delage.

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A águia abaixo não traz nenhuma marcação, porém o tipo de material e presilha utilizada na parte de trás indicam o que pode ser uma peça de fabricação brasileira.

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Na década de 20, casas como a Mappin Stores importavam sua mercadoria da França e Inglaterra, o que explicaria o aparecimento destas insígnias aqui em São Paulo.

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Uma vitrine comemorativa da Mappin Stores ao vôo do hidroavião Jahú. Souvenirs com águias e motivos aeronáuticos eram bastante populares na época.

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Deixo aqui meus agradecimentos ao TEN CEL PM Ricardo Gambaroni, do GRPAe da Polícia Militar pelas informações que resultaram no meu interesse por este tipo de insígnias.

2 comentários:

  1. João Marcos Carvalho1 de junho de 2012 11:26

    Só para registrar: na foto mais acima, o major-aviador Godofredo Vidal veste o uniforme verde-oliva da Aviação Militar do Exército, utilizado entre o início de 1933 e 20 de janeiro de 1941, quando foi criada a Força Aérea Brasileira. Entre 41 e 57 a FAB usou a farda cáqui, em tom semelhante a hoje usada pela PM do Paraná. Em 1958, foi adotado o uniforme azul-barateia. Nova modificação aconteceu em 2004, com a adoção do azul-aeronáutica, mais escuro que o barateia. No contexto desta recente modificação, botões metálicos, insígnias e brevês, até então dourados, passaram a ser prateados.

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  2. Só fazendo uma pequena ressalva: a tonalidade atual (azul aeronáutica) entrou em vigor em 2002, com distintivos metálicos dourados, convivendo com os uniformes azul baratéia até o final de 2004 (prazo de transição). A previsão dos distintivos metálicos prateados foi um pouco posterior a 2002, só não me recordo se foi ainda em 2003 ou se no início de 2004, preciso consultar as portarias correspondentes. E mesmo os distintivos prateados sofreram variações em um curtíssimo período de tempo (prata fosca, depois polida e atualmente cromada).

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