sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Bandeira do Império do Brasil

"Soldados de todo o exército do Império,
É hoje um dos grandes dias que o Brasil tem tido. 
É hoje o dia que o vosso Imperador, vosso Defensor Perpétuo e Generalíssimo deste Império, vos vem mimosear, entregando-vos em vossas mãos as bandeiras que vão tremular entre nós, caracterisando a nossa independência monárquico-constitucional, que, apesar de todos os reveses, será sempre triunfante.
...
Com estas bandeiras em frente do campo de honra, destruiremos nossos inimigos e no maior dos combates gritaremos constantemente: Viva a Independência Constitucional do Brasil !"
D. Pedro I (Collecção de Leis do Império do Brasil, 1a parte, Proclamações. Imprensa Nacional 1887)

Criada pelo Decreto de 18 de setembro de 1822 e desenhada por Jean-Baptiste Debret, a Bandeira Imperial é composta de um retângulo verde e um losango em ouro, cores escolhidas por Dom Pedro I, ficando no centro deste o Escudo de Armas do Brasil. Os ramos de café e tabaco indicados no decreto como "emblemas de sua riqueza comercial, representados na sua própria cor, e ligados na parte inferior pelo laço da nação". As 19 estrelas de prata correspondem às 19 províncias que o País tinha na época. Nos últimos anos do Segundo Império o número de estrelas aumentou para 20, em virtude da Província Cisplatina ter sido desligada do Brasil (1829), e da criação das Províncias do Amazonas (1850) e do Paraná (1853).

Encimando o brasão inicialmente adotou-se a coroa real, que foi substituída pela coroa imperial pelo Decreto de 1o de dezembro de 1822. Entretanto, segundo Clovis Ribeiro - autor do livro Brasões e Bandeiras do Brasil, no reinado de D. Pedro I usou-se muito a bandeira com a coroa real, pois já haviam sido bordadas inúmeras bandeiras e o detalhe não justificaria a troca das mesmas. Na figura abaixo vemos a esquerda a Coroa Real e a direita a Coroa Imperial.
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Nas figuras a seguir os desenhos de Debret - o primeiro para o pavilhão (com detalhes mais grosseiros, para ser visto de longe) e a bandeira com detalhes refinados.

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A emancipação do Brasil, solenemente proclamada no Rio de Janeiro, a 12 de novembro de 1822, pela aclamação de Dom Pedro I, acarretava igualmente a separação solene das armas brasileiras do escudo português, reunidos a seis anos como símbolo do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, criado pelo Rei Dom João VI.
Com efeito, a 16 de novembro do mesmo ano, às quatro horas da tarde, viu a população do Rio de Janeiro o jovem Imperador, a cavalo, escoltado por numeroso cortejo de cavalaria, atravessar a cidade em direção à Capela Imperial para assistir à bênção da nova bandeira brasileira.
Terminada a cerimônia religiosa, o Imperador tornou a montar a cavalo e, diante da tropa enfileirada em torno do Largo do Palácio, foi colocar-se na frente da porta claustral da capela, onde, no meio dos oficiais superiores e dos porta-bandeiras, leu uma proclamação ao Exército Brasileiro. Findo o discurso, mandou ele entregar pelo ministro as bandeiras imperiais a cada um dos porta-estandartes. Oficiais e suboficiais prestaram o juramento militar antes de se reunirem a seus regimentos respectivos. Depois disso o Imperador e seu Estado Maior foram postar-se ao centro do Largo para receber a continência executada por uma salva geral de fuzis e artilharia, retirando-se em seguida a tropa, depois de desfilar para o soberano. Ao mesmo tempo, uma girândola queimada no Morro do Castelo anunciou o primeiro hastamento do pavilhão imperial no grande mastro dos sinais marítimos. "Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil (1834-1839)"

Há diferentes significados para as cores da bandeira, um lembra a natureza do País da "eterna primavera", nas palavras do Imperador Dom Pedro I. Porém o significado vai além disso: Ao proclamar a Independência do Brasil, D. Pedro I fundou um Império formado pela união de duas Casas. Assim, nossa bandeira foi desenhada com as cores das Famílias Reais do primeiro casal de Imperadores, D. Pedro I e Dona Leopoldina. O verde da Casa dos Bragança e o amarelo-ouro da Casa dos Habsburgo-Lorena. Ainda de acordo com Clovis Ribeiro, Debret se inspirou em algumas bandeiras militares francesas da época napoleônica, usando um losango inscrito em um retângulo.

Abaixo vemos uma bandeira do Império em tecido bordado, com a primeira coroa e dezenove estrelas. Apesar de muito antiga, esta não é uma bandeira da época do Império. Provavelmente é uma bandeira que foi usada durante cerimônias oficiais já no período da república. Seja como for, todos os elementos são bordados e a bandeira é muito bem feita.

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A Bandeira Imperial foi usada como estandarte de diversos regimentos militares. Na ilustração de José Wasth Rodrigues, a bandeira do Imperial Regimento de Cavalaria e uma rara imagem da bandeira do 7o de Voluntários da Pátria, trazida dos campos de batalha pelos paulistas.

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No antigo brinquedo, a Bandeira do Império aparece em destaque na carga de cavalaria!

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2 comentários:

  1. Bela e oportuna lembrança de nosso passado, dado à data!
    O brinquedo dá o toque especial à postagem.
    Pena que não se fazem mais!

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  2. meu nome e andrea .eu tenho 3 colheres de cafezinho antiga com uns desenhos .fundido nelas uma tem 7 homens em cavalaria e em baixo do desenho esta escrito são Paulo.na outra tem uma pessoa com um guarda chuva e em volta muitos frutos de café e folhas de café e a outra uma folha grande de café com alguns frutos. não sei se elas são de prata ou bronse!! mas gostaria de saber de q ano elas são?e se tem algum valor.so sei q são do estado de são Paulo e bm antigas.

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