sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Antigo quepe da Guarda Nacional

Trago hoje aos leitores do blog uma bela e curiosa peça, que apesar de mais de um século de existência ainda apresenta formas e cores vibrantes. Trata-se de uma cobertura da Guarda Nacional, usada em um período que provavelmente vai de 1890 a 1910.
A Guarda Nacional foi uma força paramilitar organizada por lei no Brasil durante o período regencial, em agosto de 1831, para servir de "sentinela da constituição jurada", e desmobilizada em setembro de 1922. No ato de sua criação lia-se: "Com a criação da Guarda Nacional foram extintos os antigos corpos de milícias, as ordenanças e as guardas municipais."1 Em 1850 a Guarda Nacional foi reorganizada e manteve suas competências subordinadas ao ministro da Justiça e aos presidentes de província. Em 1873 ocorreu nova reforma que diminuiu a importância da instituição em relação ao Exército Brasileiro. Com o advento da República a Guarda Nacional foi transferida em 1892 para o Ministério da Justiça e Negócios Interiores. Em 1918 passou a Guarda Nacional a ser subordinada ao Ministério de Guerra através da organização do Exército Nacional de 2ª Linha, que constituiu de certo modo sua absorção pelo Exército.
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Em 18 de agosto de 1831, a criação da Guarda Nacional,  foi uma alternativa liberal e civil para os problemas da manutenção da ordem, além de se colocar como uma organização econômica e eficiente, formada por cidadãos e capaz de ser empregada contra as adversidades do período. A partir daí a Guarda Nacional deveria ser criada pelos Juízes de Paz em todos os municípios do Império. A Guarda Nacional era vista por seus idealizadores como o instrumento apto para a garantia da segurança e da ordem e tinha como finalidade defender a Constituição, a liberdade, a independência e a integridade do Império, mantendo a obediência às leis, conservando a ordem e a tranquilidade pública.
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Em 1842 a Revolta Liberal foi fortemente apoiada pelas Guardas Nacionais das vilas que aderiram ao movimento, tanto em São Paulo como em Minas Gerais. Nesta ocasião, como em várias outras, as Guardas tiveram oportunidade de entrar em confronto direto com o Exército como ocorreu, por exemplo, na célebre batalha de Santa Luzia em Minas Gerais entre o barão de Caxias e Teófilo Ottoni. Em 1850 a Guarda Nacional foi reorganizada e manteve suas competências subordinadas ao ministro da Justiça e aos presidentes de província.

Em 1864 a Guarda Nacional consistia em 212 comandantes superiores e um grande quadro de oficiais. Contava com 595.454 praças, distribuídos na artilharia, cavalaria, infantaria e infantaria da reserva. Em contraposição o exército regular nesta época contava com 1.550 oficiais e 16.000 praças. A relevância da Guarda Nacional se evidencia quando da organização das unidades de cavalaria ligeira, pois a maioria dos corpos de cavalaria do Brasil era constituída por unidades da Guarda Nacional, e assim para os dois regimentos de cavalaria do Exército Imperial existiam 22 corpos da Guarda Nacional. Durante a Guerra do Paraguai a Guarda Nacional teve participação importante, haja vista que do efetivo total de cerca de 123.000 soldados, 59.669 seriam provenientes da Guarda Nacional.

A Guarda Nacional foi perdendo espaço com o advento da República, cuja instalação se deu por conta do Exército, historicamente oposto à Guarda. Foi transferida em 1892 para o Ministério da Justiça e Negócios Interiores. Em 1918 passou a Guarda Nacional a ser subordinada ao Ministério de Guerra, através da organização do Exército Nacional de 2ª Linha, que constituiu de certo modo sua absorção pelo Exército. Sua última aparição pública no dia 7 de setembro de 1922, quando do desfile pela independência do Brasil na cidade do Rio de Janeiro, marcando aquele, também, o ano de sua oficial desmobilização.
(Fonte: Wikipedia)
Abaixo vemos uma ilustração de Wasth Rodrigues na qual podemos ver os tipos de cobertura usados uma década após a proclamação da República.

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A peça foi fotografada da forma que chegou em minhas mãos, antes de uma higienização para retirar o acúmulo de poeira sobre o tecido.

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As três faixas douradas na parte frontal do quepe indica o posto de Capitão, e os fuzis cruzados a arma de Infantaria. Ainda não identifiquei qual foi a 113a  unidade da GN. Assim que o fizer postarei por aqui.

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Segundo a pesquisa do Professor Adilson José de Almeida (título no final do post), "A imagem do guarda nacional como um cidadão que se destacava dos demais era assinalada materialmente pelo uniforme, através da boa qualidade de seus elementos componentes. No comércio de uniformes, em razão da preocupação em valorizá-los para venda, estas qualidades recebiam toda a atenção". A fabricação desta peça é obra de uma das casas mais tradicionais do Rio de Janeiro.

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Nas duas imagens abaixo podemos ver fotos de milicianos da Guarda Nacional usando coberturas mais ou menos semelhantes ao quepe em questão.

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Para um estudo detalhado sobre a Guarda Nacional e seus uniformes, eu recomendo a leitura da dissertação de mestrado do Professor Adilson José de Almeida, "Uniformes da Guarda Nacional (1831-1852): a indumentária na organização e funcionamento de uma associação armada." História Social FFLCH/USP 1999.

Um comentário:

  1. MUITO BOA MATÉRIA. GOSTARIA AINDA DE CONHECER COMO FOI O INÍCIO DA 'FORÇA PÚBLICA DO ESTADO DE SÃO PAULO' (a qual meu pai ingressou em 1952) ATUAL PMSP.

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