quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Não há calvário sem ressureição

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SOLDADO da nossa Terra! Tu foste de 32!

Estiveste em Cruzeiro, em São João, pelo Rio Pardo, no Gravy, no Taboado, nas grimpas do Túnel, nas escarpadas de Cunha, nas clareiras de Campinas, pelos vales e rios, pelas montanhas, por todos os passos de uma Via-Crucis de 3 meses, a sopesar o madeiro em que Te crucificando, a Pátria a si própria, se crucificava! Valente Voluntário Paulista! Onde houve chão da nossa Terra, uma Trincheira cavaste, leal e bravia, de onde a garganta faminta do teu fuzil, afirmava entre balas fundidas de teu ouro, o honesto clamor da Liberdade! Por onde tu passaste um episódio de perpetuou de Luz e Sacrifício. Pontilhaste de beleza o amplo abraço chorographico dos nossos limites!  E foste Fernão Salles em Pouso Alegre, a cabeça de herói varada por um tiro e foste José Preiss, nas barrancas de Campos Novos, o coração de bravo atravessado a baioneta, e foste o Major Novaes em Cruzeiro, o forte peito serzido de metralha, e foste Bittencourt e José Gomes, que os céus transformaram em flama para batismo do nosso mar! Foste Cajado e Ivampa e Antonio Santos! Viveste com Barros Penteado e Gustavo Borges! Pulsaste na carótida aberta do General Salgado! Foste toda a imensa, a eterna constelação dos nossos mortos! Ficaste na luminosa cegueira de Marsillac, na estética heróica dos nossos mutilados! A alma de São Paulo, tu eras! Levavas em teu sangue os impositivos da raça e no teu rosto as razões do pudor! Inspirada pelo esplendor da Causa, a tua marcha tinha as supremas decisões da Fé! Retesaste o arco da Taba e desferistes a seta sagrada cuja trajetória se marcou num sulco de Sol, o rumo do amanhã! Tiveste também o teu calvário! Eras o cordeiro da Pátria, a redimir os crimes da ditadura! Preferiram Barrabás! Era o predestinado dos evangelhos. E depois das horas agonicas de um Armistício, os dados disputaram a tua túnica. Era o cálculo da política!

Irmão de 32! Teu sacrifício não vale para nós como uma saudade que se chora, nem como efeméride que se comemora num feriado! Vale como honra que se firma, como lume que se conserva. Como religião que se cultua. Vale como estímulo, vale como um dever a murmurar constantemente ao nosso ouvido a palavra jurada de intransigência e de Fé! Toda a Fé que se impõe um Calvário. Porém Calvário não há sem ressureição!

I B R A H I M

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