quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Tenente Mario Amazonas - 7o B.C.R. Santos

Esta é uma daquelas peças que trazem consigo uma carga histórica enorme e que deixam qualquer colecionador boquiaberto: Um capacete de aço como tantos outros que já mostrei aqui - porém com algumas marcações que depois de pesquisadas, acabam revelando passagens emocionantes!

O Tenente Mario Amazonas ajudou a organizar e foi um dos comandantes do 7o B.C.R. (Batalhão de Caçadores da Reserva) de Santos. Em algum momento daqueles distantes dias de 1932 teve a ideia de marcar seu capacete de aço com seu nome e batalhão - o que me permitiu após uma pesquisa na literatura da época, colher alguns dados e algumas de suas passagens durante a revolução. O livro "Santistas nas Barrancas do Paranapanema", um clássico sobre a revolução, traz seu nome em momentos cruciais da batalha. Escolhi duas passagens do livro que ilustram de forma clara, quem foi o bravo Tenente Mario Amazonas.

Abaixo vemos um documento de 1937 com uma foto do Tenente Amazonas, e na foto menor temos o tenente em 1932 usando o capacete de aço que chegou em minhas mãos 82 anos depois.

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Em Victorino Carmillo 
A ação heróica das 2ª e 3ª Companhias do 7º Batalhão
Desde o dia 4 de agosto, as 2ª e 3ª Cias. do 7º Batalhão haviam se transportado para Victorino Carmillo. A fim de atender a qualquer necessidade da linha de frente, ocupada pelas seguintes unidades: - 1ª e 2ª Cias. do 9º B.C.R. e uma seção da 1ª Cia. do 18 R.A.M. Naquele dia. Logo pela manhã. Atendendo a um pedido de reforço, seguiu para a Fazenda S. Raphael o 2º pelotão da 3ª Cia. do 7º. Ficando localizado entre as posições ocupadas na linha Victorino Carmillo - Buri (quilômetro 286) onde permaneceu até o fim do combate. A 18 do mesmo mês. 
No dia 11. Novo reforço foi pedido para o prolongamento do nosso flanco direito. Por isso que o adversário procurava ocupar as alturas fronteiriças às nossas posições. O que, se acontecesse, fácil tornaria o envolvimento desse flanco. 
Nessa emergência, o tenente Mário Amazonas colocou o 1º pelotão no prolongamento do flanco direito. Onde já estava a 2ª Cia. do 9º B.C.R. Sob o comando do capitão Miranda. Nesse mesmo dia sofremos sério ataque da aviação inimiga. Nessas evoluções contínuas, não só procuravam reconhecer as posições que ocupávamos. Como ainda dificultavam seriamente o transporte de alimentação para a tropa. Até 13, à noite, toda a nossa linha viveu horas inquietantes. Não porque houvesse ataque do adversário. Entretanto, era tão intenso o movimento das nossas tropas, que a nossa situação agravava-se cada vez mais.
Em Saltinho 
Embarcamos. No mesmo dia 17. À tarde. Para Saltinho. Substituir tropas do capitão Ferreira. Nas trincheiras. Às margens do Paranapanema. A 18 tomamos posição. E ali ficamos até 20. Três noites de fogo. Com pequenos intervalos. Eu fico próximo a Oscar Alcover. Quando a fuzilaria dá-nos uma trégua, saímos da vala. Rastejando. Em busca de comida. Ou de café. O que nem sempre conseguimos. Porque é impossível, às vezes, levar a bóia no lugar em que estamos. Não há outro remédio. Senão curtir fome e sede. E ficar sem fumar. Atravessando as noites em claro. Na umidade. Dedo premendo o gatilho do fuzil. Disparando-o. Em defesa da própria vida. Que o inimigo no-la sacrificará. Se não estivermos vigilantes. E dispostos a reagir. Matando para não morrer. 
O tenente Mário Amazonas é o comandante das forças combatentes. Em Saltinho. Raramente se detêm no P. C. Vai às trincheiras. Cuida dos soldados. Interessa-se por todos. Faz o que é possível. Com inteligência. E energia. Sem esmorecimentos. Sua conduta merece louvores. Os voluntários santistas estão satisfeitos... 

Abaixo vemos o capacete de aço do Tenente Amazonas, com o qual ele participou da campanha com o 7o B.C.R. A data 10 - 7 - 1932 corresponde a formação do 7o B.C.R. Não está marcada a data do final da campanha.

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Com tão poucas informações marcadas no capacete é possível saber de tanta história!

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Para ler o livro Santistas nas Barrancas do Paranapanema de Santos Amorim na íntegra, basta acessar este link.

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