domingo, 14 de maio de 2017

GER Grupo Especial de Reação

Depois de um período sem novas postagens aqui no blog enquanto concentrávamos esforços na nossa página do Facebook (que já ultrapassou a marca de 55 mil seguidores), o TUDO POR SÃO PAULO retorna com uma parceria com o jornalista João Paulo Moralez - que é bastante conhecido por suas matérias de aviação militar e segurança pública.

Para abrir com chave de ouro, o João Paulo visitou o GER, uma unidade muito especial da Polícia Civil de São Paulo e traz uma matéria recheada de informações e fotos sensacionais.
Divirtam-se!

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Qualquer lugar. Qualquer tempo.
O Grupo Especial de Reação da Polícia Civil de São Paulo
(Texto e fotos de João Paulo Moralez)

Um grupo, três equipes e 36 policiais. Na complexa atividade da segurança pública que envolve a proteção da maior cidade do Hemisfério Sul e do centro financeiro do Brasil, o Grupo Especial de Reação (GER) da Polícia Civil do Estado de São Paulo (PCESP) concentra as mais variadas habilidades que uma unidade de elite deve ter. E reúne os melhores para cumprir essa missão.

Afinal, do policiamento preventivo especializado, suas tarefas passam pelas missões de busca, escolta, apoio a qualquer unidade policial civil ou pública em geral, resgate de reféns, proteção de autoridades, cumprimento de mandados judiciais de alto risco, confronto contra grupos criminosos bem armados e, ainda, as missões de contraterrorismo.

Para cada ambiente, uma doutrina e um equipamento. Uma equipe tática aparece aqui com um fuzil IMBEL MD-97L calibre 5,56mm modificado, uma submetralhadora Heckler & Koch MP5 9mm.

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O começo

Apesar de possuir o GARRA em sua estrutura, que já naquela época realizava um policiamento especializado e tático para combater crimes violentos, o Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC) sentia a necessidade de contar com um time de policiais que tivesse treinamento diferenciado, técnicas de operações especiais e armamento e equipamento específico para essa missão. Alguns integrantes da PCESP tinham feito cursos fora do País, como na SWAT de Miami (EUA). Já outros eram vocacionados para esse tipo de missão. Dessa maneira, a polícia reuniu esses integrantes no Grupo Especial de Resgate, criado em 17 de julho de 1989 através da Resolução nº 52 da Secretaria de Segurança Pública.

Mas diferente de outras unidades, o Grupo somente era reunido em ocasiões que demandavam atuação especializada, como no sequestro do empresário Abílio Diniz em 11 de dezembro de 1989. O GER teve papel fundamental para a libertação de Diniz que permaneceu 36 horas como refém. Cumprida essa missão, os policiais retornaram às suas atividades normais em suas unidades policiais de origem.

Em 23 de abril de 1990 seis instrutores da SWAT de Miami vieram ao Brasil para ministrar um curso ao GER e ao Grupo de Ações Táticas Especiais (GATE), esse da Polícia Militar do Estado de São Paulo. O treinamento foi completo e abrangeu várias técnicas utilizadas em operações especiais.
Nos anos seguintes o GER participou de várias ações com reféns, todas bem-sucedidas e algumas realizadas em apoio a outros Estados.

Os treinamentos do GER envolvem muita discussão técnica sobre quais serão as táticas desenvolvidas naquele dia específico de exercícios.

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O GER utiliza três calibres distintos de pistola: .40, .45 e 9mm. A Glock é o modelo mais empregado.

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Um dos mais vocacionados delegados de operações especiais de São Paulo da atualidade, Dr. Artur Dian lidera o GER sendo o responsável também por manter o elevado grau de qualificação, preparo e pronto emprego dos seus policiais. Aqui, totalmente equipado, aparece usando um fuzil Colt AR-15 customizado com mira holográfica Red Dot.

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Nos anos 2000

Em 2011 o GER foi transferido para o Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa, o DHPP, mas retornou para o DEIC em 2015. Já naquela situação, seu nome foi alterado para Grupo Especial de Reação mantendo a sigla GER e passando a integrar a Divisão de Operações Especiais. Nessa Divisão estão outros dois grupos de elite da PCESP, o Serviço Aerotático, que conta com quatro helicópteros e pilotos e tripulantes especializados na missão policial, e o GARRA. As três unidades passaram a atuar conjuntamente quando necessário, em perfeita sintonia.

“Dependendo da magnitude da operação o GARRA nos auxilia numa eventual incursão ou fazendo o nosso perímetro enquanto nós especificamente realizamos a invasão tática mais próxima. Neste ano nós tivemos uma operação em que as informações indicavam que um grupo de 15 a 30 criminosos explodiriam caixas eletrônicos numa cidade de uma determinada região do interior de São Paulo. Esses criminosos teriam várias opções de fuga uma vez que não tínhamos a localização exata do ataque. O GER atuou com 30 policiais e o GARRA apoiou com mais 20. Os criminosos explodiram os caixas eletrônicos mas conseguimos localizar que eles fugiram para uma enorme fazenda. Assim, nós fizemos a invasão tática na casa da fazenda e o GARRA a segurança do perímetro e o suporte necessário”, explicou o Dr. Artur Dian, supervisor do GER. Sendo um profissional extremamente vocacionado para atividades de operações especiais, Dian tem 23 anos de carreira, possui curso da SWAT em Miami e cursos na Alemanha, Colômbia, Espanha, França e Itália. Também são feitas missões e treinamentos com o SAT, uma vez que o uso do helicóptero é fundamental e indispensável nas operações especiais.

Três integrantes da Equipe 20 do GER em incursão de treinamento o metrô. As ações fizeram parte de treinamentos e aperfeiçoamentos em missões antiterror.


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O ambiente urbano requer um treinamento intenso por parte do policial do GER para o uso de fuzil evitando ao máximo possível os danos colaterais. O calibre 5.56m utilizado pelo GER, como este AR-15, reduz as chances de um tiro transfixar uma parede, por exemplo, como ocorre com o calibre 7,62mm.

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O GER é uma unidade que permanece aquartelada e de prontidão sendo seus homens acionados em dois tipos de situação. A primeira é para apoiar o DEIC e qualquer unidade da PCESP em operações planejadas após profunda investigação feita pelos setores de inteligência. Neste caso o grupo recebe as informações, faz estudos do local, dimensiona a quantidade de policiais que será necessário empregar, os armamentos e equipamentos a serem usados e demais detalhes fundamentais. Depois, caso necessário, faz treinamentos específicos preparando-se para a operação.

A segunda situação é para atender a uma crise instaurada como uma ocorrência com reféns ou uma ação imediata em que será necessário o apoio do GER em missões de alto risco com criminosos fortemente armados. O GER, pela sua característica e qualificação dos seus policiais, é constantemente acionado. Mas quando não está atendendo a uma ocorrência, seus policiais estão em treinamento.

A maior parte das ações acontece no período noturno e o GER utiliza exclusivamente viaturas Chevrolet Trailblazer com três policiais. Cada uma das três equipes táticas do GER possui 10 investigadores sendo um deles o encarregado. É interessante notar que as equipes são totalmente autônomas em termos de capacidades, uma vez que entre os seus policiais existem aqueles especializados no uso de explosivos – seja para uma invasão tática ou para desarmar um artefato – e os atiradores de precisão (snipers).

Cada equipe do GER possui ao menos um atirador de precisão, que pode atuar sozinho ou em dupla. Aqui, o policial da esquerda com um telêmetro laser para determinar a distância até o alvo e o da direita com um fuzil AR-10 calibre 7,62mm.

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Os snipers utilizam telas de camuflagem e roupas especiais para dissimulação em qualquer tipo de ambiente. Aqui, o momento exato de um disparo durante treinamento.

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Apenas voluntários

O ingresso no GER é voluntário. O policial precisa ter, no mínimo, cinco anos de experiência na polícia ou no mínimo uma qualificação tática. Seu currículo e ficha são analisados por um conselho do GER. O candidato passa ainda por um teste de aptidão física e de tiro. Caso aceito, inicia então um curso de 40 dias, mas desde o início já integra uma das três equipes.

Ambientes confinados são rotina para o GER que busca treinar nos mais variados cenários mantendo-se qualificado para a missão. Aqui, dois policiais na estação Butantã da linha Amarela.

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No caso de uma resposta a uma agressão terrorista, a ação do GER é rápida e precisa para aumentar o sucesso na busca dos criminosos e a sua possível neutralização. Aqui, dois policiais na estação Butantã equipados com a submetralhadora FAMAE .40.

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O policial do GER carrega consigo quase 20kg de equipamentos. São algemas, lanternas táticas, faca, colete balístico para munições de arma curta até 9mm e .44, placa de cerâmica para suportar tiros de fuzil 7,62mm, colete tático, capacete e uma pistola com pelo menos dois carregadores extras. Além disso há ainda o uso da submetralhadora ou fuzil com pelo menos seis carregadores extras.

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No treinamento o aluno aprende ou aprimora técnicas de artes marciais, principalmente o muay thai e jiu-jitsu. Aperfeiçoa as técnicas de tiros com armas curtas e longas, aprende a operação em ambiente noturno, invasões táticas, tiros de comprometimento (sniper), invasão tática com explosivo e aprende sobre os equipamentos utilizados pelo GER. O Grupo busca sempre estudar, entender e aprender com casos reais acontecidos com outras unidades de polícia do Brasil e do mundo além de buscar um aprimoramento constante na questão de táticas, doutrinas e uso de novos equipamentos. Afinal, para o GER erros não são admitidos.

A progressão cautelosa de uma equipe do GER durante treinamento.

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A camuflagem do GER evoluiu demais nos últimos anos, passando para um padrão atual que mistura as cores areia, verde, marrom e cinza, criando desenhos difusos que garantem a baixa visibilidade do policial em quase todos os terrenos e ambientes de uma cidade como São Paulo.

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Uma situação de alto risco e para a qual o GER está preparado para atuar é a progressão em ambientes extremamente confinados e com a presença de muitas pessoas, como é o caso deste vagão do metrô de São Paulo.

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2 comentários:

  1. nossa cidade precisa ter este tipo de trabalho da nossa policia pelo tamanho do seu territorio e ações diversas que precisa enfrentar, parabens, sehores agente pelo trabalho prestado a população da nossa cidade.


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  2. Carlos Vasconcelos20 de maio de 2017 14:33

    Caro Ricardo, PARABÉNS pela bela matéria publicada! E, sempre, parabéns pelo blog e pela maneira como leva adiante nossas Tradições bandeirantes.

    Saudações Paulistas!

    Abraços,
    Carlos Vasconcelos

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